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Adjudicação Compulsória

Meu contrato nunca foi registrado em cartório. Ainda tenho direito?

A Súmula 239 do STJ afasta a exigência de registro do compromisso de compra e venda para a adjudicação. Mas o registro continua importando — e a prova, mais ainda.

Dr. Leonardo Dantas 10 de agosto de 2026 5 min de leitura
Contrato particular de compra e venda em papel simples com duas assinaturas de testemunhas sobre a mesa

“Meu compromisso de compra e venda foi feito em papel simples, com duas testemunhas, e nunca levei a registro. Um conhecido disse que, por isso, eu não teria direito nenhum sobre o imóvel.”

O que diz a lei

Essa é, provavelmente, a informação errada mais repetida sobre o tema — e o Superior Tribunal de Justiça já a afastou há mais de duas décadas. A Súmula 239 do STJ, aprovada pela Segunda Seção em 2000, é direta: “O direito à adjudicação compulsória não se condiciona ao registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis.”

A explicação técnica está na diferença entre dois planos. O registro do compromisso na matrícula cria um direito real de aquisição, oponível contra terceiros. Sem registro, o comprador continua titular de um direito pessoal (um direito de crédito contra o próprio vendedor), decorrente diretamente do contrato. E é esse direito pessoal, e não o registro, que fundamenta a adjudicação compulsória.

Contrato particular datilografado com assinaturas de testemunhas em destaque

O que o registro protege (e por que ainda importa)

Dizer que o registro é dispensável para a adjudicação não é o mesmo que dizer que ele é irrelevante. O registro do compromisso protege o comprador em cenários concretos e frequentes:

  • Contra a venda do mesmo imóvel a um terceiro de boa-fé pelo vendedor;
  • Contra penhoras e constrições decorrentes de dívidas do vendedor que recaiam sobre o bem;
  • Contra a instituição de ônus posteriores (hipoteca, alienação fiduciária).

Ou seja: quem pode registrar o compromisso deve fazê-lo, porque isso blinda o imóvel enquanto a escritura definitiva não sai. Quem não registrou não perde o direito de adjudicar, mas fica mais exposto a esses riscos até concluir a regularização.

Livro de matrícula de registro de imóveis aberto sobre balcão de cartório

Em resumo

A Súmula 239 dispensa o registro, mas não dispensa a prova. Sem contrato escrito e sem demonstração da quitação, o pedido tende a fracassar — a ausência de registro é superável; a ausência de prova, não.

Advogado analisando contrato antigo com lupa sob luz de escritório

Fontes para consulta e validação

  1. Súmula 239 do STJ — texto oficial
  2. IRIB — Adjudicação compulsória, promessa de compra e venda e a Súmula 239

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